Sobre as coisas e as pessoas
Ainda me sinto meio desnorteada quando penso em quantas mudanças aconteceram de um ano para cá.
Ainda não achei um novo rumo e me sinto muito perdida, sem foco, mas sei que vou seguindo e vivendo e sobrevivendo a tudo isso.
Meu casamento acabou. Sinto uma falta tremenda de inúmeras coisas, mas especialmente de amar. De sentir amor, de me entregar, de me sentir perdida e sem chão quando o objeto do meu amor não se faz presente, das borboletas no estômago. E o pior é que ainda sinto isso por ele... por mais que não tenha dado certo, quando o vejo fico desnorteada, como sempre foi. Fico perdida e entregue e não consigo coordenar os pensamentos. Definitivamente, não posso vê-lo por um longo tempo.
Minha melhor amiga tornou-se minha inimiga. E o pior, eu ainda a amo. Sinto vontade de me tornar eu também sua inimiga, mas não consigo. Sei que ela me ataca e percebo sua maldade latente, evidente, mas não consigo revidar. E pior, não quero revidar. Não que eu não sinta revolta. Mas o maior sentimento, aquele que domina e predomina é uma profunda decepção. Quanto amor, quanta confiança, quanta pureza e bondade, transformadas e transtornadas numa traição maldosa, numa exposição desnecessária e cruel. O bem para quem age no bem...
Nunca me senti tão sozinha.
E, por incrível que pareça, essa sensação foi e é libertadora.
Mais do que nunca, me sinto livre.
A solidão às vezes dói. A decepção e a saudade tão intimamente ligadas que chegam a parecer um único sentimento me entristecem sempre. A tristeza agora mora em mim. Mas a sua morada toma cada vez menos espaço, menos tempo, menos de mim. Duvido que um dia deixe de morar enquanto houver esse pesar. Mas cada vez menor, a tristeza é algo que me ensina que ninguém é de ninguém e nunca conhecemos o outro, batalhamos a vida toda para conhecermos a nós mesmos e ainda assim às vezes nos surpreendemos com o que somos capazes de fazer.
Eu não morri.
Não vou deixar de viver, nem vou viver pela metade por causa de ninguém. Não mais, nunca mais. Não me importo com o que as pessoas pensam, problema de cada um. Não estou enganando ninguém, nem quero mal a ninguém. Cada um na sua e boa sorte para todos nós.
Sei que sou trouxa. Sou a trouxa. Há muito tempo. E eu não ligo. Não é assim para mim. Não quero ser a esperta, não vejo vantagem. Quando acordo pela manhã e começo meu dia, tenho minha consciência tranquila. Sou ciente e consciente dos meus defeitos, dos meus erros, me arrependo de diversas atitudes, e sei que posso ser uma pessoa melhor a cada dia, mas não posso mudar o que passou e me perdoo, com a verdadeira intenção de não me repetir nos meus erros. Mas de quando fui passada pra trás, ou de quando fiz mais do que devia, de quando ajudei alguém e fui deixada de lado, ou de quando estendi a mão e depois fui empurrada, destas coisas eu não me arrependo. Fiz bem. Me dei mal. Mas o que importa afinal? Pra mim, o que me importa é que eu fiz o bem. É só com isso que tenho que conviver. O mal que recebi, já está aceito e perdoado. É um sentimento muito estranho, mas não ligo. Problema dos outros, não meu, eu não me importo, não mais. Pode ter doído e machucado, mas não sinto mais, não me atinge mais, não mais. Ter cicatrizes nos torna pessoas mais vividas, melhores e capazes.
A vida não me deve nada e eu não devo nada a ela. Só viver.
"Perco pra malandro, perco pra ladrão, perco pra espertinhos e pra espertões, mas a minha sabedoria, essa ninguém me tira."
Raul Seixas.
***
QUERIA POSTAR DEPOIS DE COLOCAR UM SISTEMA DE COMENTÁRIOS E UM CONTADOR, MAS ESTOU TENDO DIFICULDADES... PENA...
***
postado por: Sandra 09:18