Histórias do interior
O caseiro lá do sítio ficou muito impressionado com a história que meu pai contou de um renomado biólogo da década de 70, especialista em cobras, que foi mordido por uma coral e, acreditando ser a falsa, não saiu em busca de ajuda imediatamente. Quando começou a sentir os sintomas e se deu conta que tinha sido picado pela verdadeira coral, a venenosa, sabia que não daria mais tempo de ser salvo e com um gravador falou tudo que sentia até sua morte, a caminho do soro.
Na mesma semana, o caseiro achou uma coral verdadeira num dos caminhos lá perto. Como ele soube que era a verdadeira ele não nos contou, mas que ele sabia, ele sabia!
O antigo caseiro lá do sítio saiu de lá com um filho pequeno e a mulher. Ambos bebem demais. E é pinga mesmo, aquela, a mardita, cachaça braba marvada. O nenê quando pequeno vivia inchado da pinga do leite da mãe. Mó dó. Mas como consciência é algo que passa longe da cabeça deles, fizeram um novo nenê que tá lá na barriga da mãe cachaceira. E, vejam se não parece o cúmulo, abriram um bar.
Daí, o caseiro atual tava contando um causo de um casal de velhos bebuns que morou lá perto um tempo e tinha um bar. Contam que quase nunca ia um freguês lá, então ficavam os dois bebendo e proseando até. Se, depois de um tempo de pingaiada, aparecesse um cliente, eles rapidamente mandavam embora. Um absurdo um cliente vir atrapalhar a pingaiada dos de casa! Acho que os ex-caseiros vão acabar na mesma...
Diz a lenda que alguns caçadores viram uma onça atravessando a estrada lá perto do sítio. Pelo que ouvi, viram as manchas do corpo do bicho. Não vi, nem ouvi nada. Sei não...
Numa das vezes que meus pais foram ao sítio, duas das cachorras saíram do canil e ao invés de ficarem se divertindo dentro do sítio, saíram em um longo passeio que só acabou na manhã seguinte, o que tirou o sono dos meus pais. Baita desespero. Mas elas voltaram e tudo bem. No dia seguinte, o caseiro foi procurar por onde elas tinham andado. No rastro de mato amassado ele achou dois saruês mortos (saruê é tipo uma mistura de rato com gambá, feio e peludo). As danadinhas foram caçar... e no feriado, umas 2 ou 3 semanas depois delas terem fugido, encontramos elas cheias de bernes...
Berne é uma das coisas mais nojentas deste mundo. Melhor nem explicar direito... quem gostar de coisas escrotas que procure saber... ECA!
Não tirei foto, esqueci, mas o abacaxi nascendo é a coisa mais bonitinha deste mundo...
"Olhai os lírios do campo", mas melhor que isso é cheirá-los. Todos os caminhos estavam lotados de lírios e cheirosos demais. Delícia.
Meu marido é ninja. Não tenho mais dúvidas. Pela primeira vez, entrou um morcego na casa. Nós dois, admiradores de estrelas muito espertos mesmo, saímos à noite para ver o céu e deixamos a porta aberta. Na volta, a surpresa, um morcego voando na cozinha. Entra o maridão pra espantar o morcego e eu, que de morcegos quero distância, fiquei na varanda iluminando a porta pra ver se ele saía e já preparadíssima pra correr se isso acontecesse. Daí o maridão me chama. E o morcego lá, mortão, no chão da cozinha. Meu marido ninja matou o morcego no facão. Diz ele que o morcego desviou duas vezes da lâmina do facão, admirável ouvido ultrassônico. Na terceira, meu marido já ficou preparado, na rota do bicho e ele não teve escapatória. Antes de matá-lo não sabíamos se era um morcego que só come frutinhas (a maioria) ou um morcego vampiro. Depois de morto tivemos certeza que ele comia frutas. Perto dele tinha um cheiro adocicado de frutas... só que aí já era o morceguinho!
postado por: Sandra 15:02