A SAGA DOS BICHOS ESCROTOS
Parte 1 - Ratos da Rua
Era madrugada já. Cochilamos no sofá, com a porta aberta e os cachorros dormindo dentro de casa. Acordei sobressaltada, sem saber direito o porquê.
De repente, ouço um barulho na cozinha. Meu amor tinha meio que acordado, chamei e perguntei se ele tinha ouvido algo, mas não. Achei que era nóia da minha cabeça.
Passou um tempo, meio que despertamos, estávamos pensando em assar pães de queijo, fome da madrugada de dia anterior a dia de preguiça. Eram 2 da manhã.
Enquanto conversávamos, ouvimos novamente barulho na cozinha, mas desta vez, a luva de amianto que estava pendurada numa ventosa ao lado do fogão caiu e, quando olhei, percebi um movimento anormal na queda da luva.
Na hora, disse:
- É rato!
A descrença masculina bateu forte no meu amor e ele respondeu cético:
- Magina... Foi só a luva que caiu...
Nessas, ele se levantou e foi pegar a luva. Mesmo preferindo acreditar nele do que no que tinha visto, continuei no sofá e já comecei a entrar em pânico. E ele ali, pegando a luva, meio distraído, e tentando me convencer que não era nada, até que ele disse:
- Xi... é rato mesmo, acabei de ver um focinho...
- Ai, ai, ai... Tá vendo? Eu sabia...
Me fechei na sala, barricada no quarto sem porta, Otto e meu amor caçando o rato, eu, Ísis e Lana protegidas na sala.
Nos primeiros vinte minutos de caça ao rato, rolou bastante movimento. Puxa de cá, empurra de lá, o ratão apareceu e meu amor deu uma bicuda no bicho, que bateu na parede e caiu no chão. O Otto (exímio exterminador de ratos sem furá-los, fora leptospirose!) deu uma abocanhada no bichão, mas o danado conseguiu escapar e se escondeu atrás da geladeira.
Minha geladeira tem um compartimento atrás que armazena a água do descongelamento automático do congelador. O rato ficou lá, feliz e contente, num lugar que não dava para espantá-lo. E olha que meu marido bem que tentou! Até extintor de incêndio (daqueles grandes!) de CO2 ele usou pra ver se o maledeto saía de lá e nada! O rato ficou doidão, mas não saiu de lá...
Passaram-se outros 20 minutos.
Eu já tinha fumado uns 5 cigarros nestes 40 minutos. Estava apavorada, andando de um lado pro outro, tentando olhar a cozinha pelo quarto com barricada... enfim... eu queria o maldito rato morto e fora da minha casa naquele instante! E nada...
Fui até o quarto e, espiando a cozinha, perguntei pro meu amor porque tanto marasmo, 20 minutos e nenhum movimento. Ele me explicou onde estava o danado, a geladeira estava virada. No que ele está me explicando, vejo uma bunda de rato amarronzada, saindo do tal compartimento e correndo pra trás da geladeira... Gritei avisando e voltei pra sala que eu tenho horror a ratos, sim!
Aí, em 5 minutos meu amor, meu marido e, depois deste momento, também meu herói matou o maledeto! E o pior: o bicho era bonito...
Não, eu não sou louca, era um rato bonito, sim! Malhado, da metade do corpo até o focinho branco, a bundona e o rabo marrons, grande (uns 20 cm de ratão mais o rabo) e gordo, parecia um hamster!
Essa foi a primeira experiência. Não fiquei com muito medo depois, não. O rato, certeza que veio da rua, e como os cachorros estavam dormindo aqui dentro, nem tchuns pro bicho. Passei a tomar mais cuidado com a porta, enfim...
O pior ainda estava por vir...
P.S.:
Pra quem não sabe, Ísis é uma golden retriever, Otto e Lana são um casal de pitbulls, dos mais mansos do mundo. Penso bastante em ter um gatinho, mas tenho medo dele virar petisco de pitbull. Os meus são mansos, porém com gatos... a coisa fica feia! Só instinto!
postado por: Sandra 10:22