EM MANUTENÇÃO.
Reclamações deverão ser dirigidas ao
SAC
30.9.05
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Poucas palavras, um tempo em silêncio. Não é que não haja nada a dizer, é só que há muito a pensar. E os pensamentos fluem melhor cultivados no silêncio, verbalizados para poucos.
Mil idéias, mil planos. Novos sonhos.
Um período para terminar o que foi começado, estabilizar a estrutura, arrumar as coisas e partir.
Abandonar sonhos é difícil. Quando se escolhe um caminho, voltar atrás parece perda de tempo. Por isso insisti. Por isso tentei. Mas cansei de ser infeliz, de sofrer. Tenho escolha e não ligo de ter usado meu tempo num caminho que não é o que me faz bem. Não perdi nada, ganhei a confiança de que não é isso o que quero. E ganhei tanto mais...
Agora que estou voltando, passado o fechamento para balanço, sinto-me bem. Tranquila por estar fechando um ciclo e ansiosa pelo novo que se afigura.
Tenho medo, não sei o que virá. Mas tenho fé e sigo em frente, venha o que vier, haja o que houver.
Continue a nadar, continue a nadar!
postado por: Sandra 11:26
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22.9.05
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Recomeçar
Não importa onde você parou...
em que momento da vida você cansou...
o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado... Chorou muito?
foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
é por que fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora...
Pois é...agora é hora de reiniciar...de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado...diferente?
Um novo curso...ou aquele velho desejo de aprender a
pintar...desenhar...dominar o computador...
ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando. Tá se sentindo sozinho? besteira...tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para
"chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
nem nós mesmos nos suportamos...ficamos horríveis...
o mal humor vai comendo nosso fígado...
até a boca fica amarga.
Recomeçar...hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? ir alto...sonhe alto... queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida... pensando assim trazemos prá nós
aquilo que desejamos... se pensamos pequeno... coisas pequenas teremos... já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor... o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado... ao mundinho de coisas tristes... fotos...peças de roupa, papel de bala...ingressos de cinema bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamos quando
nos julgamos apaixonados... jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração...
fique pronto para a vida... para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis... somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes... afinal de contas... Nós somos o "Amor"... "Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura."
Carlos Drummond de Andrade
postado por: Sandra 16:33
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20.9.05
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Mudanças radicais...
Quando conheci meu marido, ele e a família tinham uma pequena empresa de silk screen. A empresa foi aberta pelo pai (meu sogro querido) e tinha cerca de 15 anos, em todos os quais meu marido trabalhou lá.
Por força do destino, esta empresa acabou fechando e eles todos (sogro, marido - que na época era noivo - e cunhados) migraram para uma outra empresa, aberta em sociedade com outra família de pai e filho.
Meu marido tinha dado o sangue pela empresa do seu pai. Trabalhava a semana toda das 6 e meia da manhã até as 8 da noite, todos os sábados e às vezes até aos domingos, ganhando muito mal. Na empresa em sociedade, continuou na luta, com muita força e com muita fé que as coisas fossem melhorar. Seu sentimento pela firma, pelo pai, pelos irmãos e até pelos sócios era de gratidão, por isso se submeteu a um salário de fome (pior que o do faxineiro!) pra fazer esta nova empresa dar certo. Passamos juntos por esta fase negra, de falta de grana, de auto-estima em baixa. Ele ficou, de repente, sem nada, sem grana, sem apoio, sem estímulo, sem confiança. A única coisa que ele tinha era o meu amor. Esse sempre esteve lá, apoiando-o. Nessa época, para que pudéssemos ter um noivado feliz, sustentei nossas baladas, nossas viagens, nossa vida e fiz o que pude para animá-lo.
E isso era o pior, o desânimo. Ele lutou tanto e era tão mal reconhecido que seu desânimo só aumentava. Até que em uma reunião na firma, ele percebeu que ninguém dava o menor valor para seus esforços, muito pelo contrário! Achavam que ele deveria fazer ainda mais, para que os demais pudessem fazer ainda menos. Ele sofreu uma tremenda injustiça e ninguém o apoiou nesta tal reunião. A questão dele ter que fazer mais foi abordada pelos sócios e seu pai e irmãos concordaram... Ali, eles perderam sua lealdade...
Nesse ínterim, percebi que ele tem um dom natural com animais. Não é aprendido e não é algo que se possa aprender, é dele, é um dom. Sozinho, lendo um livro, adestrou nossos pits e eles ficaram extremamente educados, como são até hoje (quem conhece, sabe). E, a partir daí, com a ajuda da minha mãe, ele fez um curso de adestramento.
Aprender algo novo e inusitado, melhorou muito sua auto estima. Fez com que se sentisse mais confiante, menos preso, com mais possibilidades.
Ele abandonou a gratidão, que acabava sendo um sentimento paralisante, e saiu da firma. Correu atrás de adestramento e entrou na equipe da Cão Cidadão e está trabalhando com eles e na Vila dos Cães em Alphaville.
Ganha bem, adora o trabalho. Sente-se grato à vida, que lhe abriu todas essas possibilidades. Reaprendeu a confiar em si próprio. Voltou a ser o homem por quem me apaixonei, um homem animado com a vida.
Durante 18 anos, ele foi um empresário/sócio/gerente/encarregado/impressor/ajudante de silk screen. Durante toda sua vida profissional ele esteve envolvido com o silk acreen. Em alguns meses, a vida virou e ele se tornou adestrador, e um dos melhores, muito respeitado.
Hoje, quem passa por esta situação de desânimo sou eu. Me sinto presa por gratidão e amor a uma situação irreversível e muito muito ruim para mim. Tenho vontade de largar tudo.
Agora, a situação é bem diferente porque nossa vida não é mais viagens e baladas, temos uma porção de contas pra pagar.
No meu pior dia, desatei a chorar quando meu marido chegou. Não consegui fingir que estava tudo bem. E olha que eu tentei. Quando ouvi o carro dele chegando, me tranquei no banheiro e só saí quando não estava mais chorando. Ele começou a me contar seu dia e eu não consegui responder, recomecei a chorar. Ele me deu colo, me deu todo o apoio que uma pessoa pode precisar. Me disse que está aqui por mim, que não estamos mais sozinhos, temos um ao outro.
E me deu carta branca para largar tudo se eu quiser.
Certamente é o que vou fazer, mas... não posso fazer isto abruptamente, tem de ser bem pensado. Mesmo porque eu trabalho desde sempre, não gostaria de parar e ficar fazendo nada, não saberia o que fazer com tanto tempo livre.
Além de outro emprego, necessário para pagar as contas, eu estou a procura de um foco, um objetivo, algo a que buscar, almejar, com que sonhar, que eu goste, que me faça novamente trabalhar pelo trabalho e não mais pelo dinheiro como tem sido nos últimos tempos, procuro uma vocação.
E está bem difícil de achar... Como Luís Fernando Veríssimo, acho que tenho vocação pra aposentada!
postado por: Sandra 12:26
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19.9.05
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Chega!
Muita tristeza passou pelo meu coração. Fui afundando a tal ponto que cheguei ao fundo do poço. Passei alguns dias cão. Chorei horrores.
E depois da tormenta veio a calmaria.
A situação não mudou e o que me machuca continua a me machucar, mas tomei consciência de uma porção de coisas no meu caminho. Em especial, tomei consciência de que meu caminho precisa mudar, eu preciso mudar.
Agora, começa uma nova busca pela mudança necessária, que se traduz em mais um período de sofrimento e de dor, porque mudar não é difícil, mas dói.
O primeiro passo foi dado, tudo isso que me deprime saiu do plano das idéias e tomou forma. Foi articulado em palavras e estas palavras formaram sentenças claras e definitivas.
De nada adianta correr atrás de sonhos que não existem mais e que nunca passarão de meros sonhos do passado. Se são impossíveis, que eu sonhe novos sonhos e que me mantenha sonhando e sem sofrer inutilmente pelo que não é.
Chega de covardia, chega de medo, chega de ilusão. Não adianta chorar pelo que não aconteceu, nem culpar quem nada pôde fazer dadas as circunstâncias.
Aceitei que assim é e assim será e não há nada que eu possa mudar dentro desta situação.
O duro é que parece que fiquei sem nada. Perdi meus sonhos e meus objetivos. Nadei, nadei muito, e morri na praia. Sem nada, sem nenhum sonho pequenino que fosse para acalentar...
Morri. Para renascer numa nova estrada. Que eu ainda não sei dizer qual será...
postado por: Sandra 12:29
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14.9.05
13.9.05
9.9.05
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Lembranças da Raquel...
Sexta passada, a Sabrina foi assistir um filme lá em casa. Vimos "Hitch - conselheiro amoroso", que por sinal é bem legalzinho, no estilo comédia romântica.
Daí a primeira lembrança: comédia romântica lembra Raquel. Sempre. Lembra aquelas noites, tardes e manhãs que íamos na casinha dela, logo ali na rua estreita, e passávamos horas e horas vendo comédias românticas, papeando e fazendo festa... Sempre éramos recebidas com uma besteira pra comer, uma novidade, um doce diferente, gelo com hortelã ou morango, ao gosto do freguês... Tratamento totalmente padrão.
Começou o filme e Sandra e Sabrina no blá-blá-blá. Lembra Raquel. Raquel Tia Agostinha certamente viraria e diria: "Shhhiu, Sabrina, Sandra, vamos ver o filme!" E, depois desta lembrança, nos calamos e assistimos o filme.
Sábado teve churrasco em casa, que por sinal foi bem legal, com algumas caras novas e muito benvindas. Fizemos a receita original da batata da Raquel. Tivemos que dividir em porções. Cada qual comeu a sua e - pufff - acabou! Um sucesso! Nem cinco minutos de mesa... no próximo churrasco é receita dupla!
E por falar em próximos churrascos, lembro mais uma vez da Raquel. Sempre que falávamos que as festas na casa dela eram muito legais e deveriam se repetir sempre, ela dizia que não dava porque era muito trabalhoso. E que sobrava tudo pra ela, antes e depois da festa. Agora, eu sei...
Ai... quanta saudade! São tantas e tão boas lembranças...
postado por: Sandra 14:53
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8.9.05
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Com a cara estapeada...
Quando a gente fala ou escreve sobre política, é como se estivesse dando a cara a tapa.
Dizer que sinto pena do Lula, foi pedir pra ser estapeada.
Não tenho orgulho deste sentimento, mas sinto pena, sim... Não da pessoa do Lula, ele não vale nada, também sei. Mas do presidente Lula. Estes dias ele falou que tem coisas que um presidente não pode dizer. E não pode mesmo. Nem se quisesse. É disso a minha pena...
Poxa, eu não queria sentir pena do povo brasileiro... não queria mesmo! Este povo é bom. Povo trabalhador e bem humorado. Povo sem oportunidades, sem educação, sem infância. Mesmo assim não queria ter pena. Queria é ter como mudar.
Fome Zero? Programas sociais que fornecem renda? Não adianta... enquanto o povo não tiver educação, transporte e saúde de qualidade, para que tenham oportunidade de buscar algo melhor, para votarem melhor, para viverem melhor, não adianta fazer campanha social... não adianta dar algo a alguém hoje se amanhã essa mesma pessoa não vai ter como conseguir por conta própria... e vai continuar ou voltar pra mesma.
Como diria meu pai: " Não adianta dar o peixe, tem que ensinar a pescar."
E eu me sinto a maior ditadeira popular dos blogs... rs...
postado por: Sandra 11:39
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6.9.05
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Sexo Trocado
A história real do menino criado como menina
John Colapinto*
Este livro trata da história real de David Reimer (nascido Bruce), o garoto que aos oito meses de idade teve o pênis queimado numa circuncisão mal feita. Como o menino tinha um irmão gêmeo, pareceu a oportunidade perfeita para um estudioso de casos de anomalias genitais, o Dr. John Money, aplicar sua teoria de que o meio define a sexualidade da pessoa e não suas características hormonais e genéticas, seguindo a tese freudiana de que o desenvolvimento psicológico saudável de uma criança como menina ou menino depende da presença ou falta do pênis. Aproveitando-se da euforia das descobertas médicas e psicológicas da época (anos 70) e da inocência, crendice e culpa dos pais, o menino foi castrado e criado como menina, a Brenda, e sofria abusos psicológicos deste mesmo médico, que atrás de uma máscara de médico comprometido com a ciência, tinha sérios problemas com seus relacionamentos pessoais e com sua própria sexualidade, apesar de ser extremamente conceituado no meio. A história ficou conhecida como "o caso dos gêmeos" e, embora desde a infância Brenda tenha demonstrado não se sentir uma menina, o Dr. Money, publicou o caso como sendo um sucesso, fajutando as pesquisas e pressionando Brenda com métodos nada ortodoxos até que desse as respostas que o médico gostaria de obter para poder usá-las em suas pesquisas.
Depois de viver a infância e a pré-adolescência de maneira conturbada, sem conseguir aceitar sua condição de menina, aos 14 anos, Bruce descobriu o que havia acontecido com ele e optou por voltar a ser menino, o que nunca deixou de se sentir realmente, adotando o nome David. Ainda assim, o Dr. Money manteve sua posição embora tenha deixado de citar o "caso dos gêmeos" em seus trabalhos. Contra todos os argumentos de que o caso fora um fracasso desde o princípio, Money diz que só não deu certo porque a mídia se envolveu e Brenda descobriu que nascera como Bruce.
O livro é impressionante e vale a pena. Li de uma vez, mal conseguindo desgrudar os olhos das páginas. Fiquei indignada e passei pra todos de casa lerem.
O que mais impressiona é que, embora outros psicólogos e psiquiatras tenham tido contato com o caso e tenham percebido claramente que não estava dando certo, que Brenda não se sentia menina, mas sim menino, apenas uma psicóloga teve a coragem de não se vincular ao Dr. Money e se preocupar única e exclusivamente com a saúde psíquica de seu paciente, levando-o a encontrar-se, enfim, como David. Os demais psicólogos e psiquiatras que atenderam o caso, devido à fama do Dr. Money, mantiveram seus métodos e seguiram suas orientações de como tratar Brenda, que já odiava o Dr. Money e seus métodos, acabando por perder a confiança da criança. Nenhum deles teve coragem de ir contra o que relatava o famoso doutor, apesar de estar claro o fiasco.
Hoje, David Reimer está casado e sua esposa tem filhos de relacionamentos anteriores que ele adotou. Fez diversas faloplastias (cirurgias de reconstrução do pênis) e, embora com aparência esquisita e não proporcionando as mesmas sensações que um pênis natural, é funcional.
Do livro, além da história interessante e da indignação com o absurdo, tirei uma imensa lição de moral. Muitas vezes, por medo de pessoas mais poderosas ou influentes que nós, acabamos por não nos comprometer conosco, com a realidade e com as responsabilidades que nos cabem uma vez que sabemos que algo não está correndo conforme o esperado. Num mundo cheio de novas descobertas, é importante ter uma visão fria e realista em alguns momentos para não se deixar levar por loucuras alheias, mesmo que este ser alheio seja famoso e renomado no meio. Porque não é o poder que tira a humanidade das pessoas e parte desta humanidade vem da possibilidade do erro. Errar é humano.
* John Colapinto é repórter e teve contato com David através de uma reportagem que fez para a revista Rolling Stones com a qual ganhou o National Magazine Award. Quando surgiu a idéia de escrever a livro, de contar sua história, a pessoa em quem David pensou foi John, que impôs uma única condição: que as pessoas aparecessem com seus nomes e a história fosse contada na íntegra, ou seja, que fosse um livro de uma história real, com personagens reais, tudo exposto. Agora fala sério, num caso destes não é engraçado o nome do autor do livro ser justamente Colapinto???
postado por: Sandra 13:04
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