Sandrices

EM MANUTENÇÃO. Reclamações deverão ser dirigidas ao SAC



28.4.05


Histórias de dona-de-casa: A satisfação de um banheiro limpo

Há uns três dias esfriou pra valer, aqui em São Paulo. Está um clima de outono, frio, mas agradável. Depois de um verão tão longo, até que tem sido bom.
Exatamente nesta esfriada, fiquei com alguns dias mais livres. Trabalhei no feriado, no final de semana (inclusive no domingo de sol) e ganhei alguns dias de descanso. Só que descanso para mim, desde que me casei, significa arrumar minha casa.
O banheiro vinha sobrevivendo de limpadas rápidas há mais de uma semana.
Não tenho mania de limpeza, mas sou perfeccionista. Se tem uma coisa que me deixa insatisfeita é depois de dar uma limpadinha no banheiro, ver a parede esbranquiçada. E passar um pano não adianta. Tem que lavar, esfregar e até, no meu caso, passar esponja de aço pra tirar todo o branquinho, inclusive do rejunte.
Com esse tempo, nos últimos dias, não tive ânimo de fazer a faxina do banheiro. Estava cansada, desgostosa de não ter aproveitado meu final de semana. Descansei e passei roupa, o que é terrível também. Minha amiga Sabrina estava em casa me vendo passar roupa e até se incomodou: "Sandra, que é isso! Como vc demora passando roupa! Roupa é assim: passou, mexeu, amassou. Não adianta ficar com tanto perfeccionismo!... Que doente!" Sim, sim, é uma doença.
Toda vez que ficava apertada e ia ao banheiro fazer um xixizinho rápido, olhava o box e a sensação de insatisfação me dominava. Nem assim, meu ânimo mudava. E o banheiro lá, mal limpo.
Hoje acordei e fui ao banheiro. Quando entrei, decidi: de hoje não me escapa. E lavei meu banheiro até o último azulejo.
Ah, que delícia. Que cheiroso. Que bonito. Não sobrou esbranquiçado pra contar a história.
Satisfez!

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Dia da Sogra

Sim, hoje é o dia da sogra. Muita gente odeia a sogra, eu sei, mas no meu caso, é uma homenagem: ADORO minha sogra.
Sempre dei sorte, nenhum dos meus namorados tinha mãe problemática. Todas sempre gostaram de mim, ficaram minhas amigas e tal. Mas minha sogra é um caso à parte. Ela é um amor. Me trata super bem, sempre gentil e é uma pessoa muito educada, muito calma e bem humorada. Além de tudo, gosta de mim.
Tem até outras noras que morrem de inveja do nosso relaionamento. Hahahaha... Banana pra você, queridinhas!
A melhor sogra é a minha!!!

postado por: Sandra 16:12


27.4.05


Lua-de-mel

Conforme o prometido, post da lua-de-mel...
Saímos cedo, numa segunda-feira (14.03). Táxi para o aeroporto e depois ônibus de Congonhas até Cumbica. Tudo gostoso, chegamos cedo, não despachamos a mala que seria bagagem de mão, e fomos passear pelo aeroporto. Compramos palavras cruzadas, revistas e doces, aquelas coisas de criança em aeroporto.
Chega a hora do embarque, apago meu cigarro e vamos embarcar. Meu marido tinha colocado um canivete suíço na mala, um que ele ganhou do irmão já há algum tempo, quando o irmão trabalhava na Alemanha e fez seu primeiro passeio à Suiça. *
Acontece que não pode carregar objetos cortantes na bagagem de mão e os manés (no caso, eu e meu marido) não tinham prestado atenção a este pequeno detalhe.
Eu fico esperando, ele tenta despachar o canivete, não pode. Tenta despachar a mala, não dá mais tempo. Se o canivete ficasse na Infraero, seria teoricamente destruído num dia "x" que abririam uma caixa em que o canivete seria depositado. Ou seja, se ficasse lá seria irrecuperável. Uma grande sacanagem, pq eu duvido que esmagariam o canivete mil-e-uma-utilidades do meu amor. Mas, precisávamos embarcar, sobravam apenas alguns minutos, e não podíamos deixar o canivete ali prum fiscal bunda da Infraero qualquer pegar e se apropriar. Daí, minha mente resolveu funcionar e lembrei do guarda-volumes e lá se foi meu amor procurar o tal lugar. Por R$20,00, o canivete ficou lá guardado bonitinho.
Pegamos o avião e foi o primeiro vôo do meu amor. Achei emocionante isso. Sei que é uma coisa idiota, mas pelo menos uma primeira vez dele foi comigo, e em alguma coisa emocionante. Ele adorou.
Chegamos em Floripa, fomos para a pousada, na Barra da Lagoa, nos instalamos e saímos para conhecer a praia. No dia anterior, o mar tinha sofrido uma ressaca das brabas. A água estava limpa, limpa, muito limpa. O céu nublado não tirou a magia da tarde e a vista ainda conseguia ser linda. Na areia tinha muita vida. Vários caranguejinhos, e bichos de praia. Por causa da ressaca, a praia estava repleta de água-vivas mortas. Impressionante.



Voltamos para a pousada e, depois de todo o stress do pré-casório, eu dormi. A tarde toda. Meu marido me acordou, compramos comida, comemos, deitamos e eu dormi de novo. Na terça-feira, o dia amanheceu ensolarado, lindo. Saímos para caminhar na praia e só rolou um único lapso, saímos sem protetor solar. Caminhamos fritando. Só deu pra perceber que a coisa tava feia pra gente na hora que entramos no mar. Conclusão: virei um pimentão!



Voltamos, paramos num quiosque, tomamos uma cerveja e comemos uns petiscos. Fomos para a pousada e eu dormi. A tarde toda. Meu amor me acordou à noite pra jantar e fomos para um restaurante, comer um prato típico de Florianópolis, a Sequência de Camarão.
Pra quem gosta de camarão este prato é um show a parte. Primeiro vem dois bolinhos de peixe, duas casquinhas de siri e duas porções de camarão, uma ao alho e óleo e outra no vapor. Mas as porções não são aquelas que a gente até fica triste de tão pequenas. Bem servidas mesmo. Depois desta "entrada", eu já estava satisfeita. Aí, vem o prato principal. Peixe (duas postas grandes) ao molho de camarão, arroz, uma porção bem servida de camarão à milanesa, batatas fritas e pirão de camarão. Quem tem mente gorda entende: mesmo satisfeita, comi de tudo e saí que não cabia mais em mim de tão cheia. E é cheia mesmo, sem nenhuma educação, porque satisfeita eu já estava há tempos, muito antes de parar de comer. Não tirei fotos. Tem que ir lá pra comer e saber do que estou falando. Só de lembrar... hummmmmmmmmm.
Dormi a noite toda de novo e aí, sim, tinha me recuperado do pré-casamento. Na quarta, fomos à praia, nadamos na piscina da pousada e meu amor ligou pra um amigo que mora lá. Jantamos com ele e fomos convidados para uma balada na noite de quinta. Além disso, ele nos deu a dica da prainha e nos levou pra conhecer a Joaquina.
Na quinta pela manhã, fomos conhecer a Prainha. Pra chegar lá, atravessamos uma ponte pênsil bem tosca, balançante e caminhamos subindo e descendo o morro por caminhos onde carros não passam. Nos deparamos com a Prainha e foi simplesmente lindo.



A praia tem cerca de 100 m de extensão e é calma. Na Barra da Lagoa, a praia é uma delícia, a água gelada e tal, mas o mar é forte. Muitas ondas. Na Prainha, passada a arrebentação, com a água na cintura, vira uma lagoa. Muito limpa. Ainda mais limpa que a Barra da Lagoa. Com a água no ombro dá pra ver o pé. A praia mais limpa que eu já vi. **
À noite, fomos na tal balada que o amigo do meu marido nos levou. Durante todo o tempo que estivemos com ele, ele dizia que ia nos levar ao "The Loft, a balada GLS de Floripa". Mas até chegar ao lugar, eu não tinha acreditado que a balada era GLS, pq o cara é metido a machão, não imaginei que estivesse falando sério. Mas estava. E curtimos a balada GLS, rindo, nos divertindo e o amigo do meu amor fugindo de um cara que gostou dele. No caminho, apreciamos o cartão postal de Florianópolis, a Ponte Hercílio Luz, que podia ser vista do deck na balada.



Daí, na sexta-feira, acordamos, tomamos café e fomos pro aeroporto, pra começar o casamento propriamente dito, pq dizem que lua-de-mel não é casamento... E estou descobrindo que não é mesmo!

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* Meu cunhado ficou de dois a três anos passando 3 meses a trabalho na Alemanha e 15 dias no Brasil. Nesta época, ele foi à Suiça e comprou o canivete pro meu amor. Por ironia do destino, agora ele está trabalhando na Suíça, no mesmo esquema. Já faz mais de um mês que ele está lá. Saudades!

** Alguém já ouviu falar em maré azul? maré vermelha? Enfim, maré alguma coisa que torna as praias de todo o litoral brasileiro extremamente limpas? Alguém me falou disso e não consegui descobrir se foi por causa deste fenômeno que a praia estava tão limpa. De qualquer forma, foi a praia mais limpa que eu já vi até hoje. E linda. E gostosa.

*** Antes que o meu amigo Lixomaníaco diga, eu mesma o faço: este é um post emo e brega mesmo! O brega é bom... às vezes!

postado por: Sandra 13:05


19.4.05


Esta manhã, tive que vir super cedo ao trabalho.
Acordei de saco cheio. Detesto acordar cedo e acho indigno estar de olhos abertos antes da sete horas da manhã. O mínimo de sono deve ir até as sete horas, menos que isso é covardia com o corpo da gente.
Dirigi pro trabalho com um péssimo humor, com frio (é, o tempo mudou bastante!), e naquela luz de lusco-fusco, nem noite nem dia ainda. Primeiro ponto positivo é que não havia nem sombra de trânsito congestionado. Bom. Mas não melhorou em nada o meu humor.
Quando cheguei, deviam ser umas 6:10h, peguei minhas coisas, tranquei o carro, e abri o portão pra começar a luta.
Daí, o milagre aconteceu. De repente, todas as coisas mudaram de cor. Ganharam um toque de rosa e clarearam, brilhando. Não dava pra ver o amanhecer de onde estava, então saí para contemplá-lo.
O céu cor-de-rosa, o amanhecer de um novo dia.
Meu humor mudou diametralmente. Agradeci a oportunidade de ver o sol nascer, o dia amanhecer. Fiquei feliz.
Lembrei da minha amiga Fotomaníaca, que desde o reveillon só fala em rosa, e fiquei mais feliz.
É, o amanhecer é ROSA! Desejo um dia cor-de-rosa como o meu pra todos que por aqui passarem! (Veja bem: não estou incentivando ninguém a mudar de opção sexual!)

" Não há longa noite que não encontre o dia."
Shakespeare

postado por: Sandra 09:22


15.4.05

Noooossa! Que calor! São Paulo é uma cidade que não tem estrutura para ser tão quente! Tem muita gente, muito prédio e pouco ar. Fica tudo abafado, parece um forno. E, de tarde, neste calor, em plena sexta-breja, a vontade de trabalhar fica tão próxima a zero que pode ser considerada nula!
E, assim, nesta vibe, resolvi dividir com vcs a angústia de se trabalhar numa cidade que não é quente o suficiente para que se tenha ar condicionado em todos os ambientes, nem fresca o suficiente para que isso seja desnecessário.
Tô cozida!

postado por: Sandra 14:21


14.4.05


Tênis X frescobol
Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm chance de ter vida longa.
(...)
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora do jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza do outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.
(...)
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

(trecho extraído do livro O Retorno e Terno - crônicas da Editora Papirus)

postado por: Sandra 08:53


13.4.05


Ele e Ela

Era sábado.
- Nossa, que correia... - ela chegou em casa, amarrotada e certamente descabelada, depois de 2 horas no supermercado comprando quitutes para o almoço com a família dele no domingo.
- É... - ele respondeu do sofá, nem olhando para ela, assistindo um jogo na tevê.
- Tá com uma voz... que foi, algum problema?
- Não, nenhum.
- E por que esta voz de problema?
- Não tem voz nenhuma.
- Então, tá. Vai ver que eu é que estou ouvindo demais.
- É...
- Olha aí, vc de novo fazendo essa voz de desânimo e dizendo que não tem nada... que foi, afinal?
- Nada... é só que você não tem mais tempo pra mim, nem aos sábados.
Ela revira os olhos e segue até o sofá. Senta-se ao lado dele e diz:
- Pronto, estou aqui. Com quase todo tempo do mundo.
- Ah, mas assim eu não quero. Assim não vale.
- Mas por quê?
- Porque eu tive que pedir...
- Putz... - ela levanta, volta pra cozinha e continua a tirar as compras dos sacos plásticos. - olha, quer saber, se você me ajudasse aqui em casa, nós dois teríamos mais tempo juntos. Inclusive enquando fizéssemos as coisas. Mas basta você ter um tempo livre, que gruda no sofá e liga a tevê.
- Poxa, não fala isso, eu trabalho a semana toda, tenho direito de descansar! Não é fácil sustentar esta casa...
Ela responde, já com um ponta de irritação na voz:
- Em primeiro lugar, eu também trabalho a semana toda. Em segundo lugar, você não sustenta a casa sozinho, eu pago um monte contas, e vc sabe. E, por fim, eu também quero descansar, mas alguém tem que fazer as compras da casa, alguém tem que fazer comida, alguém tem que lavar nossas roupas, alguém tem que manter a casa arrumada e limpa, alguém tem que lavar o quintal, alguém tem que alimentar o seu cachorro, enfim, tem um monte de coisas pra fazer numa casa. Enquanto você descansa da semana no sofá... Eu não estou com você, porque estou fazendo todas estas coisas! - descarregou ela.
- Bem que eu te disse pra contratar uma empregada...
- Ah, sim... Só que vc esqueceu que a gente combinou de guardar dinheiro pra comprar uma casa e que você falou que o que daria para guardar tendo uma empregada seria pouco para comprar a casa...
- Ah... mas que saco! Eu aqui descansando e vem você com essa sua ladainha!...
- Saco? Como assim? Eu fui fazer compras, chego e você está com aquela cara. Pergunto o porquê e vc reclama que eu não tenho tempo pra vc. Te explico o porquê e vc me diz pra ter empregada, mesmo tendo combinado que não teríamos porque iríamos guardar dinheiro pra comprar uma casa. E agora quem está enchendo seu saco sou eu? Por quê? Por que passei 2 horas no supermercado fazendo compras pra fazer um jantar pra sua família?! - aí ela já estava começando a se irritar de verdade.
Ele na hora se estica no sofá e prende a respiração num suspiro. Vira-se para vê-la e sua cara já demonstra que algo está errado.
- Xiiiii... esqueci de te falar...
- Esqueceu de me falar o quê?
- Ai, desculpa, amor...
- Esqueceu de me falar o quê?
- Sabe o que é... - e ele coça a cabeça, sinal de que fez besteira. E fica mudo, esperando pra ver a reação dela.
- Não sei! Dá pra vc falar logo, por favor? - e ela já está muito irritada mesmo.
- Meu pai precisava ir na casa de praia ver como estão as coisas. Ele ligou ontem à noite avisando que eles não poderiam vir almoçar aqui no domingo... eu estava tão cansado que esqueci de te avisar.
- Ah... - ela fica parada, quieta, sem nenhuma expressão por alguns segundos. Continua segurando a carne que tinha tirado da sacola do supermercado. Seus olhos fixam-se no nada. Sem falar nada, ela larga a carne e segue para o banheiro. Fica uma hora no banho, sem se preocupar com a conta, nem com nada, pelo simples prazer de se molhar.
Sai do banheiro para o quarto, escolhe uma de suas melhores roupas, se perfuma e se maqueia com prazer. Resolveu que estava cansada de reclamar do marido que não ajudava em nada. Resolveu que estava cansada de ser mãe dele. Resolveu que teria mais prazer e menos obrigações dentro de casa daquele momento em diante. Resolveu que jantaria fora num restaurante novo e muito bonito que abrira recentemente nas redondezas e que ela nunca se permitira nem passar da porta só de imaginar os preços. E resolveu que ele não seria convidado.
Saiu do quarto resolvida e feliz, pronta para fazer uma caminhada até o restaurante e depois jantar como merecia há tempos. Sem ter que lavar a louça depois.
Quando ele a viu, ficou boquiaberto e foi logo perguntando:
- Aonde você vai assim toda arrumada, tão bonita?
Ela estava com tanta raiva que resolveu nem responder.
- Ei, não fala mais comigo, não? Que foi? O gato comeu sua língua? - ele falava como se nada tivesse acontecido. Como se o tempo que ela gastara no supermercado comprando coisas inúteis simplesmente para agradar a família dele, que não vinha, não fosse nada. Tinha um sorrisinho no rosto e uma cara de cachorro molhado que a deixou ainda mais irritada. Pensar que há pouco tempo atrás aquela carinha e aquele sorriso teriam feito com que ela derretesse e a raiva passasse... Resolveu responder, não custava tanto, ou talvez custasse, mas, quer saber?, ela já não se importava mais.
- Olha, é o seguinte: eu vou jantar fora, você não está convidado. Tem alguma comida na geladeira caso você queira jantar. Esquente e coma. Ou não. O que preferir. As compras precisam ser guardadas. Tem coisa que derrete e coisa que estraga. Guarde, porque por mim pode estragar. Ou derreter. E quer saber do que mais... - ela respirou fundo controlando o forte impulso de mandá-lo a merda. - mais nada! Tchau.
E saiu, deixando ele com a desconfiança de que havia acontecido alguma coisa que ele não havia entendido.

postado por: Sandra 11:22


12.4.05

Pois é... agora é hora de montar relatórios. Passei a tarde ajeitando uns negócios no primeiro dos relatórios e... PUF!... o programa fechou sem me perguntar se eu gostaria de salvar tudo que tinha feito... Ou seja, perdi horas de trabalho!... Tecnologia infame! Burrice minha! Quem mandou não salvar? 20 anos de computador e ainda não aprendi que tenho que salvar pelo menos a cada hora trabalhada... tsc tsc, mereci!

postado por: Sandra 16:31


11.4.05


Começo de mês, hora de vistoriar um monte de obras, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dias 31, 1º e 4 em Sampa; 5, 6 e 7 no Rio. Segundona (4 de abril), eu estava no maior gás. Depois das obras de quinta (31 de março) e sexta feira (1º de abril), tinha descansado bastante no final de semana e estava legal. Acordei cedo, uma banhão pra despertar e simbora pra primeira obra.
Ficava na Moóca e até que peguei o trânsito bom. Cheguei na hora, conversei com o engenheiro, corri a obra e saí. Tudo em tempo, tudo certinho. Próxima obra, Parque Novo Mundo. O trânsito estava bom no caminho, cheguei rápido lá perto e dei de cara com um baita congestionamento na Marginal Tietê. Fui por dentro, dei uma voltona, mas cheguei apenas cinco minutos atrasada. Tudo bem. Obra na fundação, super rápida de ver, só tirei algumas fotos do chão e de um começo de escavação de blocos e baldrames, que dava pra ver a espera da estaca, bati um papo com o engenheiro e saí rapidinho.
A última obra era em Santana, zona norte da cidade, e, como por milagre, a marginal tietê estava livre quando me pus a caminho. Fui tranquilamente até a obra e, como cheguei adiantada, fui almoçar. Cheguei na hora, e fui correr a obra. Estava disposta e satisfeita, porque desde o mês passado tento atingir a meta pessoal de ser pontual no meu trabalho e neste mês consegui! E deu tudo certo.
Olhei todos os andares (16) do primeiro bloco (são dois na obra) e estava descendo o último lance, de quatro degraus para o térreo, quando tropecei, fui caindo de lado, catando cavaco, desci mais um degrau e finalmente caí dos últimos dois degraus, estabacada no chão. A sorte foi que eu estava com o capacete de obra, porque senão teria ralado até o rosto. A obra está em construção, ainda no concreto, então tá boa de ralar... Ralei ambas as canelas, o pé direito, a coxa esquerda, o braço esquerdo, a mão esquerda e bati o quadril. Ou seja, fiquei inteira dolorida.
O estagiário que estava comigo, não aguentou e riu, embora tenha vindo me ajudar a levantar, porque foi um tombo de corpo inteiro, sabe? Daqueles que a pessoa acaba estendida no chão... Ridículo.
Fiquei chateada de ter caído. Não foi só a vergonha de ter caído ou a dor de ter me machucado que me deixaram chateada. Foi o fato em si. E fui pro Rio, assim chateada e com uma sensação de desastre, na terça à tarde. Além de tudo, faz nem um mês que me casei... muito ruim abandonar marido, cachorros e casa, assim, tão rápido, tão recém casada, mesmo que por 3 dias...
E o Rio me transformou o humor. Além do povo ser expansivo mesmo, na terça à noite, aconteceu uma coisa surpreendente. Tomei um chopp com uma amiga num bar e esqueci meu cigarro com o isqueiro dentro em cima da mesa, quando saímos. Voltei uns quarenta minutos depois, porque o bar ficava mais próximo de qualquer lugar que vendesse isqueiro por ali, sem nenhuma esperança que tivessem achado e/ou guarado meu cigarro. Então, perguntei a um garçom se tinham visto o tal cigarro que esqueci na mesa. Não só tinham visto, como estava guardado, era um cigarro que estava com um isqueiro dentro? Não acreditei. Mas chegaram com o cigarro, e o isqueiro estava lá... Agradeci muito e me fui, feliz por encontar meu isqueiro e feliz por terem sido honestos.
E, no calor do Rio, enfim deu tudo certo. Tiveram seus poréns, como esperar uma hora no ponto de ônibus e andar outra hora procurando um táxi, mas depois do tombo, isso foi bem leve pra mim. Cansou, mas pelo menos não doeu!...

postado por: Sandra 10:35




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