EM MANUTENÇÃO.
Reclamações deverão ser dirigidas ao
SAC
30.1.05
 |
 |
 |
 |
Hoje eu ia escrever uma piada de humor negro, mas como meu humor ficou negro, desisti.
Domingo é dia de dormir. Ainda mais porque eu estou super estressada, cansada, precisando de um bom descanso.
Minha mãe acordou cedo e, na falta do que fazer, resolveu me acordar às 9 horas da manhã pra dar remédio pros cachorros com ela. Disse que entendeu que eu pedi isso.
Num final de semana normal isso já me deixaria emputecida. Neste final de semana, mais ainda.
Tá, sei que estou sendo imatura, que já foi, que não há nada que se possa fazer. Mas a situação é a seguinte: esta semana que passou não dormi nada bem. A maior correria de trabalho, correr atrás de casas, fazer convites, enfim, uma loucura. Ontem, acordei às 8 horas pra ir ver casas.
Esta noite eu vou dormir no ônibus indo pro Rio. 6 horas de viagem. Cansa legal. Segunda e terça correndo obras. Subir sei lá quantos andares e descer os mesmos sei lá quantos mais os que eu subir de elevador. Dormir numa cama estranha. De terça pra quarta, nova noite no ônibus pra Sampa. Quarta, quinta e sexta, mais obras pra correr.
A noite que eu tinha pra me refazer era esta. Tinha combinado comigo mesma que eu ia dormir o máximo que eu conseguisse. E, 9 horas da manhã, minha mãe resolve me chamar!
Aí, vc deve estar pensando: vira pro outro lado e dorme de novo, oras! Isso deve ser fácil para você. Pra mim, depois que eu acordo, meu corpo me boicota o sono. Começo a suar, me dá vontade de ir ao banheiro, sinto fome, ou seja, não consigo mais dormir.
Estou revoltada... o único dia que eu não tinha hora pra acordar, fui acordada.
Minha cabeça dói, meu corpo dói... E tudo isso porque não tem o que faça minha mãe entender que ela pode pensar o que ela quiser desde que ela me deixe dormir no domingo! Afinal, é um domingo... nada é mais importante no domingo do que dormir e descansar se refazer pra semana... que droga!
Deixo aqui minha revolta e minha compreensão a todos os que moram com os pais e tem uma mãe que não respeita o seu sono de domingo...
postado por: Sandra 09:27
|
 |
 |
 |
 |
28.1.05
 |
 |
 |
 |
Você já tentou alugar uma casa?
Como diz o velho deitado: quem casa quer casa! O ditado se refere a comprar uma casa, mas como não tenho grana e moro com meus pais, fica valendo uma casa de aluguel também.
Poderíamos optar por um apartamento. Só que em apartamentos não poderíamos ter nossos cachorros, Lana e Otto, ambos pitbulls, minha e dele. Nos edifícios as pessoas preconceituosas detestam pitbulls. Acham que são cães assassinos que gostam de comer gente. Os nossos preferem ração. Além disso, em edifícios só podem ser criados cachorros como poodles e yorkshires, ou seja, pequenos e histéricos. Deve ser um predileção por latidos agudos. Pitbulls, em geral, não latem ou latem muito pouco. A Lana late muito pouco, o Otto não late mesmo.
Além disso, meu amor tem claustrofobia em apartamentos. Sempre moramos em casa. Eu até morei em apartamento na infância, mas era um esquema bem diferente. Prédio de 4 andares, 2 apartamentos por andar, eu morava no primeiro andar e tinha quintal. Só dois vizinhos de parede e laje, um do lado e um em cima. Era bem legal. Um garoto, que morava 2 andares acima, quando ganhava aqueles pintinhos amarelinhos que davam em feira de animais para as crianças, cuidava, alimentava, criava até virar um galinho, daí brincava de suicídio, no terraço do apartamento dele. Fazia o galinho andar até a beirada e se suicidar, se espatifando no meu quintal. Cool.. hereher...
Logo na primeira semana em que procurávamos um lugar pra alugar, achamos a casa ideal. 3 dormitórios, aluguel que cabia no bolso, escondida e espaçosa. Falamos que tínhamos cachorro. Tudo certo. Conversamos sobre uma carência do primeiro aluguel, porque tinha que pintar, trocar um vidro quebrado, consertar uma infiltração que parecia ser por causa da calha entupida em um dos quartos, enfim, dar uma arrumadinha. O corretor disse que falaria com o proprietário, mas achava que não tinha problema.
Quando fomos assinar o contrato, vimos uma belíssima armadilha armada pelo corretor: estava escrito que teríamos que arrumar a casa em 30 dias - pra valer a carência - e eram uns 8 ítens (entre eles trocar os azulejos de um dos banheiros e arrumar a hidráulica da cozinha e do outro banheiro! detalhe: a casa tem uns 25 anos...), e também que na casa morariam 2 pessoas sem crianças e sem animais domésticos. Isso quer dizer que caso eu engravidasse (não pretendo pelos próximos 8 anos, pelo menos! isso se um dia eu decidir colocar mais uma criança no mundo...), a criança não poderia morar conosco! Absurdo...
Conclusão: não alugamos a casa e perdemos uma semana na certeza de que estaria tudo certo.
O absurdo é colocarem crianças e animais como restrição para o aluguel. Ontem, liguei para um proprietária através de um anúncio de jornal. No meio do maior barulho de crianças correndo e gritando e interrupções para ela mandar a criançada parar, ela me disse que não aceitava crianças nem animais, porque era vizinha da casa que estava alugando e não gostava de bagunça. Ri na cara dela, mas acredito que ela não tenha percebido, tamanha a zoeira que as crianças faziam na casa. Completamente non sense. Se fossemos vizinhas quem se incomodaria com a bagunça certamente seria eu.
Hoje vamos ver mais várias casas. Confesso que estou um tanto quanto desanimada. É super difícil...
Em útlimo caso, se não acharmos uma casa, vou morar de favor num apartamento da família. Sem pagar aluguel e sem nossos cachorros. Tudo tem seu preço...
Por acaso alguém sabe de uma casa para alugar que não tenha restrições para animais domésticos???
Enquanto isso, continuo minha busca...
postado por: Sandra 10:53
|
 |
 |
 |
 |
27.1.05
 |
 |
 |
 |
Desculpas a quem comentou, mas deletei meus últimos posts.
Cansei do que escrevi.
Cansei do que senti.
E fiz assim, apaguei.
E pronto, tudo resolvido.
Amanhã, quem sabe essa canseira de mim mesma resolve passar...
postado por: Sandra 00:41
|
 |
 |
 |
 |
22.1.05
20.1.05
 |
 |
 |
 |
Estranhezas
- Às vezes me olho no espelho, numa foto ou numa filmagem e não me reconheço. Eu sou outra coisa qualquer que não é aquilo que vejo, mais ampla, menos restrita e muito, mas muuito mais etérea. Essa é uma esquisitice comum e você já deve ter se sentido assim alguma vez na vida.
- Antes de dormir, deitada na cama, quando fecho os olhos e estou com uma mão entre o rosto e travesseiro, dentro da minha mente, minha mão fica grande, grANDE, GRANDE e minha cabeça fica pequena, pequena, pequenininha... depois inverte e volta, inverte e volta... é como se a mão e a cabeça não fizessem parte de mim, nem eu delas... é como se tivessem vontade própria. Às vezes mudam as coisas e/ou as partes que ficam grandes e pequenas... mas é uma sensação bem forte, que geralmente não me deixa dormir até eu mudar de posição e afastar a idéia...
- Aconteceu 2 vezes comigo de estar dirigindo e, de repente, esquecer quem eu sou, que sou humana, que estou indo pra algum lugar e que sei dirigir. Deu um branco e eu não estava mais ali, era grande e fazia parte de tudo, não estava dentro de lugar algum, nada podia me conter... os carros, a pista, os viadutos pareciam estar tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos... era como se eu estivesse menos densa, como se eu fosse parte do ar, não da matéria sólida... e... eu não sabia mais dirigir! Numa das vezes, quando percebi que o carro ia bater, entrei em pânico e só daí me toquei que eu estava ali, dentro do carro, era aquele meu corpo, e que eu sabia dirigir, sim. Parei a meio milímetro do carro da frente. Suei frio...
Cada um com as suas esquisitices. De perto, ninguém é normal...
MAS... não queira estar perto do meu carro da próxima vez que eu sentir estranheza ao volante... pode ser que eu não volte a tempo! ; )
postado por: Sandra 11:02
|
 |
 |
 |
 |
18.1.05
 |
 |
 |
 |
Um aniversário daqueles...
Era meu aniversário e estava tudo muito confuso... Parece que todo dia do meu aniversário é fatalmente confuso e estressante, no mínimo.
Acordei de manhã super feliz porque era meu dia e fui tomar café. Encontrei meu pai na mesa e começamos a tomar café. Ele não lembrou que era meu aniversário. Perguntei da minha mãe, mas ela tinha saído mais cedo naquele dia. Fiquei sem parabéns matinal, mas ainda estava tudo ótimo.
O dia inteiro trabalhei tanto que eu mesma me esqueci que era meu aniversário.
Marquei com uns amigos de ir a um bar à noite e decidi durante o dia que minhas unhas precisavam estar bonitas. Fui na mulher que ajeita minhas unhas normalmente e ela não podia me atender. Parecia um complô de todas as cabeleireiras do bairro, fui de uma a uma e nenhuma podia me atender.
Achei uma bem mequetrefe lá no final da avenida e, por falta de opção, resolvi fazer as unhas lá mesmo. A mulher demorou cerca de duas horas pra fazer as unhas das minhas mãos e tirou um monte de bifes daqueles de sentir a pulsação no lugar machucado. Saí com minhas unhas feitas e os dedos pulsando, toda cortada e fui pegar meu carro apressada e atrasada (pra quem me conhece: como sempre!).
No que eu entrei no carro e saí, percebi que havia algo errado. Parei e vi um pneu no chão. Quase chorei... Um senhor de uma casa do outro lado da rua veio me ajudar, mas, como Murphi é Murphi, o cara não conseguia afrouxar os parafusos. Entrou em casa pra buscar um cano (pra usar de braço de alavanca) e apareceu um rapaz pra me ajudar, dizendo que ele era forte e espertão e não precisava de cano nenhum.
Afrouxou os parafusos e, qdo o senhor voltou, me olhou indignado e saiu puto comigo. Tudo bem, fazer o quê? Não podia dispensar ajuda, ainda mais estando cada vez mais atrasada.
O rapaz foi colocar o macaco embaixo do carro e colocou no lugar errado... Além de amassar embaixo do carro (ai...) ainda por cima, o carro caiu do macaco sem pneu... Sorte não ter amassado a roda. Demorou o dobro do esperado e eu fiquei mais chateada ainda de não ter esperado o velhinho.
Saí de lá e fui a um borracheiro. O pneu não estava furado. Alguém tinha esvaziado. Quando parei para ir a cabeleireira, não percebi, mas estacionei em frente a um estacionamento... Acho que ficaram com raiva de mim e esvaziaram o pneu... pura maldade.
Depois de tantas, fui abastecer e o carinha do posto encheu o tanque até a boca. Acontece que meu carro tinha um ladrão no tanque da gasolina. Resultado: paguei pra lavarem o posto com gasolina...
Saí do posto com muita raiva.
Tudo tinha dado errado!
Meus dedos estavam inflamando, eu estava terrivelmente atrasada pra minha própria festa de aniversário, tinham esvaziado o pneu do meu carro e meu pai tinha esquecido do meu aniversário. Não consegui imaginar o que mais poderia dar errado no dia.
Estava tão brava e tão indignada que nem pensei antes de xingar um cara que vinha numa moto e falava algo para mim, ao lado do carro...
- Vai... seu fdp!
O cara arregalou os olhos, continuou com a moto ao lado do carro e gritou pra mim:
- Moça, eu só queria avisar que sua porta está aberta!
- Er... hum... Obrigada!
Foi terrível!
O pior não foram os contratempos do dia todo, porque isso acontece... fiquei arrasada pq acreditei no meu dia tão ruim, que não fui capaz de aceitar uma gentileza dada de graça...
Depois teve a festa e foi tudo lindo, mas naquela noite dormi com a consciência pesada sobre o travesseiro...
postado por: Sandra 20:28
|
 |
 |
 |
 |
14.1.05
 |
 |
 |
 |
Tem um monte coisas acontecendo juntas. Sinto-me como que realizando um sonho de alguém que em parte sou eu e em parte é alguém muito estranho a mim.
Pintei um quadro sonhador há muitos anos e ele desbotou, mudou de cor, foi restaurado umas 5 vezes e agora encontra-se modificado, colorido e iluminado.
E agora começo a construir este quadro no mundo real. Penso em cores de paredes, em objetos de decoração, em como montar a cozinha, em qual casa alugar.
Sonho com isso dormindo e acordada. Não paro de pensar neste passo que damos juntos, eu e ele.
Milhões de decisões a serem tomadas de hoje até a data. Mas a mais importante já foi. Nos casaremos em março e já temos o dia marcado, só falta confirmar no cartório.
Dá vontade de rir e de chorar, exatamente ao mesmo tempo. Em todo mundo fica um misto de alegria e perplexidade, inclusive em mim. Um baque.
Tô toda orgulhosinha, muito ansiosa, e me borrando de medo, ao mesmo tempo.
Será que isso é normal?
postado por: Sandra 11:04
|
 |
 |
 |
 |
13.1.05
 |
 |
 |
 |
Na minha rua, há vários anos atrás, quando eu ainda era criança, minha vizinha duas casas para baixo, tinha quatro cães vira lata. Na casa, moravam 3 famílias, todas da mesma linhagem, com uma velha avó em comum. Toda vez que a gente ia sair de casa, tinha que olhar antes para ver se os cachorros estavam soltos. Se estivessem, o melhor negócio era sair de mansinho e dar a volta pelo quarteirão de cima, porque se vc passasse em frente à casa, os cachorros te mordiam.
Minha mãe, meu irmão e pelo menos uma pessoa de cada casa da rua já tinham sido mordidos. O mais impressionante era que a velha senhora via os cachorros mordendo, as pessoas implorando por socorro e ficava olhando meio que sorrindo, se fazendo de maluca. Várias vezes os vizinhos tentaram falar com alguém da casa, pedindo que prendessem os cachorros e os mantivessem presos, mas todo pedido era ignorado e às vezes até tratado com desaforos. Milhões de reclamações. Quando houve a primeira visita da vigilância sanitária, a coisa tomou tal proporção que a família acabou matando os cachorros para se livrar do problema.
O pior de tudo era que mesmo sabendo que os cachorros eram bravos e atacavam as pessoas, aquela família vira e mexe deixava o portão aberto e os cachorros ficavam na rua ameaçando os passantes.
Hoje em dia, a família tem outros cachorros vira lata, também bravos, mas trancados dentro de casa.
Daí, estou eu agora adulta, andando pela rua com minha pitbull, e a mesma velha (que eu cumprimento sempre, uma vez que agora ela está ainda mais velha) vira pra mim e fala:
- Cachorro bravo esse seu! ¿ e dá um sorrisinho pra mim.
Na hora, precisei contar até mil. Minha cachorra brava??? Como assim? É uma cachorra totalmente confiável. Nunca brigou. Nunca rosnou pra ninguém. Tem total respeito por mim. Muito, muito, muito amor pelos conhecidos. Como assim brava??? Fiquei indignada, mas não ia rasgar o verbo com a velha. Me controlei, sorri de volta e disse calmamente:
- Que nada! A minha é mansinha... bravos são esses seus aí dentro! ¿ e continuei andando pra nem ouvir se viria resposta. Mas ainda ouvi um: - Os meus? - meio indignado vindo da senhora...
Não sei se alguém acredita mesmo que exista uma raça de cães que odeia gente, come gente, ataca gente e etc.. Pra quem acredita, garanto que essa raça não é o pitbull.
Gente odeia gente. O cão é realmente o melhor amigo do Homem.
Eu acredito em posse responsável.
O responsável pelos acidentes que a gente ouve falar por aí não é um cachorro ou uma raça. Responsável pelo cachorro e por suas atitudes é o dono.
E o dono é humano. Ensina mal o cachorro ou simplesmente não ensina. Não admite que seu cachorro é bravo ou instável e pode morder.
Algumas opiniões:
- Se vc não pode ter um cachorro, não tenha. Simples assim. Cachorro exige carinho, tempo, atenção, cuidados, passeios, faz sujeira, enfim, dá um grande trabalho. E um retorno maior ainda.
- Se vc tiver um cachorro, trate-o com amor, com carinho. Ensine-o como a um filho, com respeito. Sem abuso de autoridade, sem grandes surras. Brigue com o cachorro no momento devido. Não desconte suas raivas e frustrações nele. É uma grande injustiça.
- Existem cachorros com problemas de comportamento, para isso existe o ADESTRAMENTO.
- Existem cachorros com distúrbios. Estes cachorros precisam ser medicados, assim como algumas pessoas precisam de remédios por terem desfunções neurológicas.
- Cães treinados para guarda não servem como cães de companhia. Seus reflexos estão condicionados pra situações de perigo e eles podem cometer um erro de julgamento numa situação qualquer dentro de casa.
- Raças como pitbull, rotweiller, mastim, pastor, doberman, dogo, labrador, golden retriever, weimaraner, entre outras de médio e grande porte, devem sempre ser tratadas com muito respeito. A mordida deles é forte. Seu porte é imponente. Às vezes um pulo em cima de uma criança pode causar um grande estrago, mesmo que o cachorro seja super manso. Estes cachorros devem sempre ser educados para serem calmos e mansos. O mais manso e calmo possível. Naturalmente, um cão defende sua matilha. Cães que convivem com pessoas e outros bichos não devem ser ensinados a morderem pessoas ou bichos.
- Sou, particularmente, contra a mutilação animal. Especialmente por estética. Castração, sim. Mutilação, não. Castrar um cachorro que pode vir a ficar solto é sinal de responsabilidade. Ninguém quer aumentar a população de cães sem dono pelo mundo. Mó dó. Agora, cortar orelha e rabo porque é padrão da raça (motivo estético) é inconcebível pra mim. Não posso entender esse tipo de atitude de quem ama um bicho.
postado por: Sandra 16:48
|
 |
 |
 |
 |
3.1.05
 |
 |
 |
 |
Motim das roupas
Já há algum tempo, meu quarto vem se rebelando contra mim. As roupas esqueceram seus lugares no armário e insistem em ocupar minha cama e minha escrivaninha. Eu falo, tento convencê-las de que seu lugar não é sobre a minha cama nem na escrivaninha (cama é pra dormir, escrivaninha pra escrever!), mas a rebelião não acaba.
Chamo a PM com seus cacetetes super eficientes em desfazer tumultos e elas, na correria, vão pro armário. Mas, só de sacanagem, vão pros lugares errados. E depois fogem, sorrateiras, pra morarem em cima da minha cama e jogarem baralho na escrivaninha.
Não tem jeito. Fui expulsa do meu quarto.
A única solução que encontro, na hora máxima do sono, é puxar o edredon debaixo da montanha de roupas e ir dormir no sofá, meu único amigo nesta casa. Antes de dormir, quando ainda estou cochilando, ouço minha cama às gargalhadas... devem estar fazendo piadinhas de mim e da minha preguiça... a cama, as roupas, a escrivaninha que eram pra ser minhas tomaram vida própria e eu perdi o controle sobre elas...
Quando ouço o primeiro grito de "TRUCO, fdp!" desisto de dormir. Essa sacanagem tem parar agOOOra!
Subo as escadas espumando de raiva. A algazarra continua naquela mesma animação. Abro a porta com estardalhaço e o silêncio se apodera do ambiente.
Vou dobrando as roupas, uma a uma, com um sorriso de satisfação e sadismo no canto da boca. Uma das blusinhas mais xexelentas geme ao ser dobrada. Um insulto. Rosno de volta e pego a tesoura na mão, em ameaça. Perco totalmente qualquer racionalidade. Não ouço mais nem um pio e volto ao trabalho.
Vou guardando todas elas no armário nos seus devidos lugares. Demorou, mas saí vitoriosa. O motim das roupas está controlado e, pelo menos por uma noite, retomei o meu quarto!
postado por: Sandra 23:32
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
História triste (e real) de Natal
O menino era um menino sofrido, com mil histórias tristes que remontavam aos seus 3 ou 4 anos de idade. Filho de pais separados, com uma história de abuso, muito mal contada, porém atestada pelo IML. Criança que cresceu isolada do mundo, numa família religiosa radical, onde tudo que saía do habitual era do mal.
Suas reações eram controladas e a impressão que ele sempre passava era de estar observando e julgando cada pequeno gesto das pessoas ao seu redor. Aos 8 anos de idade a aparência tímida escondia uma feição de criança velha observando para causar.
Seu relacionamento com a mãe era recheado de escândalos. Nenhum dia se passava sem que a mãe berrasse com o moleque que lhe berrava de volta, no mesmo tom. As brigas eram uma constante e muitas vezes presenciadas por estranhos, na rua, inclusive em seus ápices que culminavam em agressão física, como tapas na orelha ou na cara.
Naquele Natal, sua mãe mais uma vez dissera que era errado comemorar a data e que para eles, na sua religião, aquela ocasião não deveria ser celebrada com fartura de comidas e bebidas e presentes, nada disso era permitido. A fartura era do mal. A alegria parecia do mal para ele também.
E sua mãe deu-lhe a janta da noite, igual a todas as outras jantas de todas as outras noites, e empurrou-o para acompanhar o priminho à casa dos vizinhos, parentes da família, enquanto aproveitava a noite para passear com sua namorada.
Viu-se então o menino no meio de uma típica noite de Natal, cheia de presentes, comidas e bebidas, com uma criança mais nova e uma família feliz.
A noite foi passando e a comemoração ficando cada vez mais animada. Chegou, depois da ceia, o momento dos presentes. A árvore montada estava escondida entre os presentes que foram um a um sendo entregues em meio a beijos, abraços e agradecimentos.
E o menino ficou ali sentado, de mãos fechadas sobre o colo, olhando para o lado oposto, sem participar, mesmo estando lá. Como se fosse invisível.
As pessoas da casa não sabiam que ele estaria ali naquela noite. Todos sentiram parte do brilho do Natal se desfazendo, naquela criança ali sentada, tentando ser ninguém naquela sala, para que a tristeza de não ganhar um presente não lhe doesse tanto. E doeu em todo mundo. Todos acabaram se culpando por não terem comprado um presente extra, mas... como adivinhar?
A criança ali, largada pela mãe foi vendo a árvore cheia sendo esvaziada e suas mãos que estavam apenas fechadas no começo, encontravam-se agora crispadas e brancas, vazias de sangue, de presentes e de carinho.
postado por: Sandra 23:15
|
 |
 |
 |
 |
|
|