EM MANUTENÇÃO.
Reclamações deverão ser dirigidas ao
SAC
28.12.04
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Desejo
Victor Hugo
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem.
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
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FELIZ 2005!!!
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postado por: Sandra 00:32
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23.12.04
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Considerações natalinas:
- Era pra se lembrar de Jesus, do seu nascimento e tudo o mais, mas não dá tempo. Todo mundo está tão entretido comprando presentes que se esquece qual é o motivo da comemoração. O espírito de natal é movido a consumismo.
- Não sei de onde tiraram que o espírito de natal é uma coisa feliz. Nas lojas, os vendedores ficam de saco cheio e saem maltratando os clientes, as pessoas ficam de saco cheio de fazer compras e maltratam os vendedores.
- Muvuca de gente nos shoppings e afins. Odiável.
- A comilança é bem legal. O resultado na balança, não.
- Reunião de família é aquela coisa. Sempre.
- Pra quem tem grana, é bem legal dar e ganhar um monte de presentes. Pra quem está duro (meu caso!) é uma merda só poder comprar presente porcaria e depois do dia 20 (o dia de receber!), com shoppings lotados e presentes em falta.
- Pra quem está desempregado ou com problemas financeiros, gera frustração.
- Pra quem tem um trauma de natal, é a pior época do ano.
- Na semana antes e na depois do natal, dá uma preguiça surreal de trabalhar.
- As comidas do natal são completamente erradas pra época do ano no hemisfério sul. Onde já se viu comer nozes e panetone no verão?
- Os papais noéis passam o maior calor naquelas roupas de pólo norte.
- Tem papai noel que assusta.
- A criatividade das marketeiros se reduz a um milésimo no natal.
- Vermelho e verde não combinam no resto do ano.
- As luzinhas de natal são muito bonitinhas e tal e coisa, mas o desperdício de energia é absurdo.
- Dezembro é o mês do meu aniversário e do natal. Geralmente, ganho roupas novas.
- Toda criança gosta de natal, a princípio. Passam a detestá-lo, aquelas que não tem papai noel.
- E de onde surgiu o mito do papai noel, afinal???
postado por: Sandra 09:32
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22.12.04
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A menina do espelho
A menina do espelho está lá me olhando novamente.
É ela quem faz as coisas por mim, quando eu mesma me machuco.
Até outro dia, ela se escondia de mim e a imagem que ali aparecia não era a real. Eu não a via como ela é, mas ontem eu estava escrevendo no diário e eu a vi pela primeira vez.
Fiquei envergonhada de vê-la e, de repente tomar consciência do quanto a sua existência me abala e me destrói. Ela é mesquinha e vil. Brinca com as pessoas, não controla seus sentimentos destrutivos, suas frustrações, desconta em quem a ama.
É de uma inteligência perversa e destrutiva. Suas palavras são ardilosas e más. Suas intenções são egoístas, sempre. Ela fere meu amor pelas pessoas. Me deixa constrangida entre os meus afetos. Ela faz, e eu sinto a culpa.
Não sei o que fazer com ela, como modificá-la para torná-la mais parecida com o que quero enxergar ali, no espelho, me olhando.
As coisas que ela diz e faz, os sentimentos que ela carrega, geram em mim uma ansiedade que não tem tamanho. Ocupa todo o meu ser. E machuca. Eu me mordo e me como porque, inconscientemente, sempre soube que ela existia, mas só ontem eu assumi que ela estava lá e não era o que eu via. E ela é muito pior do eu jamais quis enxergar.
Toda a maldade refletida, toda a inconsistência e a incoerência que a permeiam saem de um lugar obscuro dentro de mim mesma. A dor de assumir que em mim também existem lugares obscuros e maus, refletidos naquela menina, é lancinante.
Dói, mas é bom. É bom vê-la, assumi-la sem recalques, sem máscaras, sem medo. Ter a oportunidade de combatê-la por saber da sua existência.
Ainda não sei o que fazer e por isso não faço nada. Estou observando-a. Ela se mexe e fala e eu a observo. Estou olhando para todas as vezes em que ela despontou na minha vida, assumiu o controle e eu a deixei dominar. E agi por ela e fiz por ela e entrei no seu mundo egoísta e fui ela.
Não posso mais.
Posso errar, mas não posso sempre ser esse alguém que me domina, além da minha vontade. Ou ainda, que só vê minha vontade e usa recursos além dos que eu admito para se satisfazer. E, no final, eu fico insatisfeita. Eu mesma me machuco. Através da menina do espelho, aquela que eu nunca quis enxergar, mas sempre esteve ali, a me observar e me dominar na primeira oportunidade.
Ela mora no espelho, mas vive dentro de mim. É aqui, na minha carne, que ela se manifesta. São palavras, atos, gestos, sorrisos. Ela possui malícia e rancores tão profundos que chegam a ser quase imbatíveis. Mas o quase sempre aponta uma possibilidade e é a isso que estou me agarrando. É tudo quase impossível, mas nada é impossível. E, sendo possível, eu vu achar o caminho.
Ainda não sei como combatê-la, mas agora que a vejo, o seu final está próximo. Ela não vai deixar de existir, mas vai ser tão modificada que não será a mesma menina. Vendo-a como ela é, enfim, tenho a oportunidade de modificá-la para, um dia, vê-la no espelho e encontrar quem ela é sem me envergonhar, sem repudiá-la. Vou torná-la a imagem que eu via antes de vê-la realmente, porém melhorada por fazer parte da realidade.
Esse é um dos momentos mais dolorosos da minha vida. E é também, um dos melhores.
postado por: Sandra 11:36
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20.12.04
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Inesperado
O dia começou cheio de trapalhadas.
Fui numa obra pela manhã com um sapato fechado herança da minha avó. Era um número menor que o meu, mas já está tão moldado ao meu pé, que já é o meu número. Ele já estava um pouco sujo de lama e tal, resolvi ir com ele mesmo. A obra estava no começo e chovia de montão. Aquele lamaçal danado. Na primeira pisada, molhei o sapato até a metade. Sabe aquela lama marrom claro, cor e consistência de cocô de nenê? Ficou ali grudada... Mas até aí, tudo bem.
Fui tirar fotos pro trabalho de toda a obra. Na hora em que passávamos por um grupo de o.c.c. (operários da construção civil, pq eles não gostam de serem chamados de peão de obra, er... ups... hehe... ) e todos eles fingiam fazer alguma coisa juntos enquanto olhavam para o nada e observavam o que eu fazia, enfiei meu pé até o meio da canela num monte que aparentemente parecia de pedrisco, mas na realidade era lama pura. Mas se isso fosse o pior estava bom. Não pude evitar um gritinho histérico quando senti a água entrando pela meia... bem gay, sabe?....
O que eu não sabia era que minha reputação tb tinha afundado na lama. Antes do episódio a peãozada toda me olhava séria, com respeito, até com um pouco de medo daquela mulher que já chegou de capacete de obra. Depois, todos que eu olhei tinham um sorrisinho bem discreto, sabe aquele de canto de boca, praticamente uma flecha pra quem pagou o mico? Legal, perdi o respeito, mas não perdi a pose.
Segui em frente, saí da obra e pra poder continuar a trabalhar comprei uma sandália. O sapato da herança ficou no porta malas, praticamente envolto em lama... Acho que vou esperar a lama secar pra tirá-lo de lá.
Depois de rodar umas três horas pra fazer o trabalho (que ainda não acabou!), peguei um trânsito infernal na volta pra casa.
Meu celular acabou a bateria e chegando em casa, fui colocá-lo pra carregar e nada. PUF, pifou! Nada acontece.
Com um começo assim, fiquei imaginando como o dia iria terminar.
Inesperadamente, no fim da tarde, recebo um telefonema:
- É da casa da Sandra.
- É ela mesma.
- Sandriiiiiiiiiiiinha, não acredito que vc não reconhece minha voz.
- hehe... hehe... bem... não.
- É o Costa!
Quase tive um troço! Meu melhor amigo, meu único amigoo pra TODAS as horas, que eu não tinha nenhuma notícia há 5 anos! A última vez que o vi foi no casamento dele e depois disso ele foi morar no Sul, com a esposa... Resumo: além de estar fora da turma dos solteiros, passou pra turma dos pais também. E exatamente na dos pais de meninos de três anos.
Depois disso, o dia que parecia um cocô, virou uma maravilha. Quase irreal.
Em primeiro lugar, consegui, do nada e fazendo uma coisa idiota de tão simples, fazer os comentários do blog funcionarem.
Meu pai chegou em casa e me perguntou se eu aceitava jantar fora numa churrascaria do lado da minha casa, deliciosa e que eu adoro.
Meu amor me deu um presentinho lindo, sem nenhum motivo.
Pra quem está acostumada a sempre pagar o mico e terminar o dia chorando na cama que é lugar quente, foi uma surpresa tremenda!
Pelo menos desta vez, o inesperado me favoreceu. Vou dormir feliz!
postado por: Sandra 15:17
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16.12.04
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Fico me perguntando como as pessoas podem achar o calor melhor que o frio numa cidade como São Paulo... Não que seja verão, porque ainda é primavera. E não porque eu não goste do calor em si.
Curtir o sol e o calor numa praia, numa piscina, ou no quintal de casa tomando banho de mangueira, é bem legal.
Mas curtir no sol dentro de um carro abafado na hora do rush é uma das coisas mais cansativas da vida.
Você nem precisa fazer qualquer tipo de exercício depois, é só ficar suando 1 hora no carro que vale por 2 horas de aeróbica e mais 2 de sauna. Gasta toda sua energia...
E quando vc tem uma reunião ou algo importante depois? A marca do cinto na blusa, que ridículo!
E pra valer a lei, eu suo muuuuito. E não é de montão ou bastante. É muuuito, que nem o reclame da gradiente. Muuuito.
Quando saio do carro e estou com uma calça mais fina, tenho que dar uma volta pras coxas e pra bunda secarem, senão aparece minha calcinha. Não dá. É demais.
E calor com chuva, então? Consegue ser pior ainda. Você fica com duas opções: ou se enclausura no carro e fica vendo quanto tempo vai demorar pra ficar encharcado, o suor escorrendo pelo rosto, por debaixo do peito e pelas batatas da perna, ou abre o vidro e toma a maior chuva. Geralmente, eu opto pela chuva...
Detesto calor na cidade!
Um zilhão de vivas para o inventor do ar condicionado!!!
postado por: Sandra 23:09
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15.12.04
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Quase... ficar no quase é terrível! Ainda mais quando se trata de algo assim.
Parece que meus pensamentos, meus sentimentos e minhas energias são independentes de mim.
Ao mesmo tempo que faço, não faço. Porque não posso por um lado, por outro porque não quero. Mas quero.
Será que só em ter esta vontade e quase chegar ao ponto, já não cometi o ato em pensamento e portanto já está feito?
Ou será que não fazendo nada, ficando apenas no quase, eu me livrei do que quase fiz?
Quase...
A minha vida é cheia de quases... quase me casei com meu ex-namorado... quase terminei com o atual... quase passei no concurso público... quase terminei o curso de inglês...
Li num fórum, um dia desses, algo sobre a culpa. Mais vale fumar despreocupado e feliz com o cigarro fumado do que fumar sentindo culpa. Mesmo sabendo dos malefícios do cigarro.
Tem tanta coisa misturada. Vontade de experimentar novamente sensações emocionantes.
Experimentar... e não se pode ficar perdendo as oportunidades assim, para o quase...
Mas acho que por hoje eu prefiro assim mesmo... quase assim mesmo...
postado por: Sandra 01:31
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13.12.04
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Festa de aniversário...
Isn't this ironic? Don't you think?
Só consigo pensar nesta música...
Churrasco de aniversário marcado para sábado, na praia. Muita carne comprada, litros e litros de refrigerante e cerveja. As saladas preparadas, dois dias da minha mãe fazendo comida, bolo, brigadeiro e branquinho.
Amanheceu um dia feio. O dia foi passando, passando e o tempo só piorou. Uma chuva terrível caindo do céu e eu e minha família esticando uma lona para receber um pouco melhor as pessoas. Um banho de chuva coletivo. Trabalheira danada.
Todo mundo trocado, começamos a comer.
E não chega ninguém.
Eu e o meu amor temos uma briga infernal. Ele me tortura durante algumas horas, com o dedo em riste mostrando que eu errei e dizendo que não pode conviver com meus erros. Ele diz que vai embora pra nunca mais. Eu digo para ele ir se não sabe se me quer mais, mas ele não quer ir. Mas diz que não sabe. Pega as coisas, diz que vai e não vai. Tortura um pouco mais e depois fica. Eu fico mal.
Meus familiares precisam ir. Ficam apenas os mais próximos, aqueles que vão dormir na praia pra passar o domingo.
Uma única amiga aparece com seus pais, porque eles precisavam ir para lá de qualquer maneira. Fico feliz mesmo assim. Ela está feliz em estar comigo e com minha família, seus pais também.
Aproveito e me divirto o dia todo, mas fico com um gosto amargo na boca.
Um pouco decepcionada, muito triste.
Entendo todos. Eu não iria num churrasco na praia, num dia tão feio. Não em qualquer churrasco. De algumas pessoas especialíssimas, sim, mas não de qualquer pessoa. Mesmo entendendo, continuo triste. Sinto-me como qualquer pessoa para todo mundo que me importa. É incontrolável.
Amanhece o domingo do mesmo jeito que o sábado. Um pouco feio, tinha chovido a noite inteira. Mas então um milagre opera no céu e o tempo abre. Um sol radiante brilha e não é mais o dia da festa. É um domingo. Um belíssimo domingo de sol na praia.
Rio, me divirto. Tomo batida no quiosque à beira mar. Finjo que nada aconteceu. Mas ainda sinto um gosto estranho na boca e não tenho vontade de falar com nenhuma das pessoas que não apareceram.
Me arrependo de não ter chamado algumas pessoas que iriam mesmo na chuva e de ter contado com outras que não se importaram o suficiente, porque tudo é uma questão de opção.
Agora o domingo de sol depois do sábado molhado do churrasco está entalado na garganta... Isn't it ironic? Don't you think?
postado por: Sandra 00:33
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